Estar em um país diferente é ótimo. A vivência, a troca de experiências, o conhecer o novo é sempre incrível. Mas há sempre o momento "p*ta que pariu, que que eu tô fazendo aqui?". O meu chegou nesses últimos dias.
Pra não me alongar muito, dois episódios da última semana.
Episódio 1 - Boca suja
Sábado de manhã, decidi sair pra dar uma caminhada na Feira do Pau Preto (sim, pau preto!) pra ver alguns artesanatos e comprar uma pintura pra disfarçar um pouco o laranja-gari da parede do apartamento onde moro. Mal chego, já junta um monte de gente querendo que eu compre qualquer coisa por um preço exorbitante. Mantenho a classe. "Não, obrigada", "não quero, obrigada". Até que um guri chega com uma espécie de xilofone rústico, cujo nome local a raiva do momento me fez esquecer completamente. Agradeço, digo que não estou interessada, e continuo a caminhada. O bendito vai atrás.
- Leva só pra me ajudar, mama.
- Não, não quero.
- Pode pagar o que quiser.
- Não quero.
- Compra, você tem dinheiro.
Minha santa! Entro em uma padaria no caminho. Tomo um café, como um pão com manteiga, vejo umas notícias na TV. E o cara me esperando lá fora, erguendo o xilofone a cada vez que passo os olhos pela janela. Não tem jeito, preciso ir pra casa. Mal coloco o pé na calçada, ele volta a me encher. Dois quarteirões depois, perco a paciência.
- Leva, você tem dinheiro, precisa me ajudaaaaaar!
- Meu querido, pega este instrumento e enfia no meio do seu c*. Eu já disse que não vou comprar p*rra nenhuma. Não tenho interesse. Não gosto. Não levo nem de graça.
Saiu de perto com os olhos arregalados. Resolveu.
Episódio 2 - O troco
Sexta-feira, final da tarde, galera toda querendo ir pra casa encher a cara. Busão lotado, chegando na paragem onde desço. Pego o dinheiro, dou ao cobrador e aviso que vou descer no próximo. Ele tenta dar uma de engraçadinho.
- Não quer sentar?
- Não, obrigada. Já disse que desço na próxima paragem.
- Não quer sentar aqui? - fala sorrindo e batendo a mão na perna.
Suspiro, olho pra ele com cara de pena.
- Meu querido, olha bem pra mim. Você aí, mal consegue se manter em pé, e ainda acha que alguém do meu naipe vai sentar no seu colo? Acha mesmo que consegue?
O chapa inteiro cai na gargalhada e grita, me apoiando. Ele insiste, levantando as sobrancelhas.
- Mas aqui é o melhor banco do chapa.
- Agora fala sério. Alguma vez essa conversinha furada colou com alguém? Alguma moça alguma vez aceitou isso? Funciona de verdade? Tá faltando tanto carinho assim em casa, meu querido?
Pronto, viro a rainha do chapa. Ganhei o dia. Até o motorista buzinou e me fez um joinha depois que desci.
O pior é que estou gostando desta minha nova versão.