terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um desabafo

Praia de Ponta do Ouro, sul de Moçambique.
Ninguém nunca disse que meu tempo em Moçambique seria simples e fácil. Como todo sonhador, vim cheia de ideias e de esperanças. Mas, às vezes, o tempo por aqui fica tão feio que é difícil ver além do horizonte cinzento que se impõe à minha frente.

Moçambique, assim como muitos outros países, possui uma história conturbada, uma independência recente e alguns conceitos de desenvolvimento truncados. E a população aprendeu rápido a colocar a culpa de tudo que é questionável na cultura. Dizer que algo é cultural e que deve ser respeitado como tal acaba sendo um golpe baixo, um soco no estômago, uma mordaça. Imobiliza, emudece, inibe.

Desde que cheguei, confronto-me com essa situação. Se proponho uma mudança, se questiono uma rotina, se busco entender o desconhecido, levo a máxima "assim é a nossa cultura". E, assim, muito do que tento acaba sendo ignorado, minhas perguntas ficam sem respostas, meus incentivos ficam sem retorno. Sinto-me encurralada, imóvel, impotente.

Gosto de Moçambique. Em momento algum me arrependo de ter aceitado o desafio de ter vindo pra cá. Mas, às vezes, acabo me sentindo frustrada por não conseguir fazer o que me proponho, por não conseguir fazer alguma diferença significativa, por não deixar legado algum. Sinto como se tivesse parado no tempo, sem conseguir passar pra frente o pouco conhecimento que tenho, e sem conseguir adquirir a sabedoria que busco.

Fico em Moçambique até março. Espero que o tempo abra até lá.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aniversário maningue nice!

Não, as velas não estão no copo de Coca; há um cupcake lá.
Ontem foi meu aniversário. O primeiro que passo fora do Brasil. Pra quem me conhece há mais tempo, sabe que aniversário costuma ser um dia que eu me tranco em casa, fico triste, desanimada e tudo mais. Porém, neste ano, a coisa foi bem diferente.

As comemorações começaram às 7h da matina, com meus colegas de curso de francês. Sou a única estrangeira da classe, e isso tem sido muito interessante. Pra comemorar meu dia, eles me prepararam uma surpresa: um aniversário à la Moçambique.

Levei o bolo e eles, a surpresa. Na semana passada, em uma das conversas de aula, eles me explicaram que aqui, quando se ganha um presente, não é de bom tom abrir na frente das pessoas. Isso porque, se você não gostar do presente, vai deixar a pessoa sem graça. E com gente curiosa, como faz? Não aguento!

Sabendo da minha curiosidade, e como parte da surpresa, os colegas me colocaram sentada em uma cadeira. Uma das colegas veio com um pacote de presente e ela mesmo abriu o embrulho. Dentro, duas capulanas - aqueles panos lindos e supercoloridos que as mulheres usam aqui pra tudo. Uma era pra amarrar na cintura, e outra era pra dobrar e deixar sobre o ombro. Também ganhei umas pulseiras de madeira, do artesanato local. Tudo lindo.

Mes collègues
Depois de devidamente vestida, cada um falou algumas palavras bonitas. E me explicaram que aqui o aniversariante é considerado um bebê. As pessoas fazem tudo por ele, o dia todo. Por isso, depois de sentada e vestida, fiquei lá, com eles me servindo bolo, suco, café. Confesso que achei o máximo!

Alguns desvios de percurso durante o dia me fizeram chutar pra longe meu inferno astral, com todos os palavrões merecidos. Por muita sorte que tenho, recebi telefonemas, mensagens, e-mails e mil demonstrações de carinho de todo canto do mundo, que me lembraram a toda hora que há muito mais amor  que esses dias nublados de inferno astral!

À noite, encontrei com uma galera num barzinho. Confesso que esperava por uns 15, mas o dobro disso compareceu. Tanto que tivemos que colocar mais mesas, deslocar pessoas das mesas do lado - obviamente eu, com aquela cara de "olha, mil desculpas, mas sabe como é, né, hoje é meu aniversário"/olhos de gatinho de botas do Shrek. Ganhei presentes, beijos, abraços, e a companhia das pessoas mais legais de Maputo.

Então, este post com ares de "Meu querido diário" é pra agradecer a todos pelas manifestações de carinho, telefonemas, mensagens, beijos, abraços e mimos durante todo o dia de ontem. Foi o primeiro aniversário longe de casa, mas repleto de alegrias e companhias (físicas e virtuais) de pessoas que fazem os meus dias mais felizes. Kanimambo!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A maldição do refresco

Corrupção é um mal crônico. Existe em todo lugar, e não serei hipócrita de negar. Mas, aqui em Moçambique, é algo tão constante que acaba incorporado ao dia a dia dos cidadãos, passa despercebido, faz cegar. Para além da obviedade da política, a corrupção de policiais é, provavelmente, o que mais choca branquelos perdidos e desavisados por aqui.

Logo que cheguei, fui alertada. Ando sempre com cópia autenticada de meu passaporte na carteira, um pouco de dinheiro, nada de cartões de crédito. Assim como em São Paulo, há sempre que se deixar a vista, na carteira, o dinheiro do ladrão. Os valores maiores ficam escondidos. Mas aqui, o risco maior não são os ladrões. São os policiais.

Depois de três meses de aventuras em terras moçambas, na semana passada, fui abordada no meio da rua por um policial e sua AR-15. Pediu meu documento. Mostrei a cópia autenticada. Estava tudo certo, entregou-me de volta e fui andando. Se não a tivesse comigo, certamente me ameaçaria, tentaria me levar pra esquadra e, por fim, pediria quanto eu tinha na carteira para lhe pagar "um refresco".

No sábado, porém, não tive a mesma sorte. Não entrarei em detalhes sobre as bizarrices que andam acontecendo pra me lembrar que estou no meu inferno astral. Mas depois de ter sido avisada que terei que mudar de apartamento pra ontem, ter perdido um almoço já pago (feijoada, por sinal) e de minha sandália ter arrebentado no meio da rua (tudo isso em menos de três horas), meu amigo Rogerson e eu fomos parados por um "polícia".

Ele estava dirigindo, me levando pra casa pra trocar de calçado, e eu, pelo que o policial argumentou, disse para ele virar em uma rua onde não era permitido. Havia uma placa indicando o sentido e nenhuma que proibisse a manobra. Passei hoje pela mesma rua, e confirmei que não há uma placa sequer proibindo que se vire à direita. De qualquer forma, a arma apontada pro carro acaba derrubando qualquer argumento.

Paramos, mostramos até a etiqueta das cuecas. Todos os documentos em dia. Aí começa a argumentação de que não se pode virar ali. O cara ameaça levar pra esquadra. Ok, vamos. Segura a carteira de motorista por vários minutos e decide chamar um colega, que estava na outra esquina.

O colega, com a maior naturalidade do mundo, pergunta logo de cara quanto temos na carteira pra resolver este assunto. A multa seria de 1 mil Meticais, algo em torno de R$ 70, mais pelo menos a nossa tarde inteira de tempo. Oferecemos 500, e ele sente-se ofendido. "Dá lá 700. Afinal, também somos pessoas que erramos". Vontade louca de sair e meter aquela escopeta goela abaixo, pra ver se endireita.

Mas melhor não discutir com dois caras armados, sem nada pra fazer no sábado à tarde. Logo depois, soube que, na noite anterior, alguns amigos também foram abordados. Um de carro, que teve os documentos praticamente sequestrados por policiais até que pagasse a quantia exigida. Outro de taxi, que também teve que pagar para que lhe devolvessem o passaporte. Se todo mundo que conheço aqui em Maputo contasse seus desprazeres com estes ratos, publicaríamos um livro!

E, antes de começar a maldizer o mundo, que fique apenas registrado o triste fato que, depois de três meses, fui batizada com o refresco maldito da polícia local.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A tuga mais azarada de Moçamba

Aos poucos, coloco o assunto em dia. Pra começar, vou pagando uma dívida: contar a história da Cristiana, a portuga mais azarada que já pisou em solo moçambicano. Tentarei resumir.

Conheci a Cristiana no início de julho, lá na ActionAid. Eu havia acabado de chegar para meus nove meses de trabalho. Ela, para dois de estágio, onde faria entrevistas e pesquisas para seu mestrado. Simples assim, pero no mucho.

Na primeira semana que estava em solo moçamba, Cristiana levou um susto. Uma bela noite, quando voltava para casa, seu taxi foi parado por três "polícia". Antes mesmo de qualquer pergunta, dois entraram atrás, um no banco do frente, Cristiana no meio do carro, com duas AR-15 apontadas. Queriam ver os documentos, que ela havia deixado em casa. Então, pediram uma graninha para um "refresco", ou teriam que levá-la à esquadra (que é como chamam a delegacia aqui). Muito portuga que é, ela bateu de frente e disse que não tinha refresco com ela. O banco onde ela poderia sacar o dinheiro era perto da casa onde ela estava. Logo, se iam até lá, que fossem até a casa para que ela mostrasse o passaporte. Muita discussão depois, e depois dela insistir em ser levada para a esquadra, os malandros a deixaram em paz.

Tempo depois, a mesma portuga sai para uma caminhada. Passa em frente a uma construção gigantesca, com umas escritas chinesas na entrada. Calçada limpa, tranquila. Até que uns guardas começam a apontar as armas e fazer sinal pra ela sair de lá. Depois de muito xingamento é que ela entendeu que a calçada era da casa do presidente de Moçambique, e que lá não se pisa, não se buzina, não se respira. Qualquer forma de vida deve se limitar ao outro lado da rua.

No tempo em que esteve por estas terras, Cristiana se mostrou uma pessoa muito, mas muito animada para festas. Fui a algumas com ela, mas a maioria ela foi com a família da casa onde estava ficando. Moçambicanos, todos, com a branquela a tiracolo. Mas, com o tempo, a cordialidade do local deu espaço à insegurança.

Um dia, sua câmera fotográfica desapareceu. No outro, um par de tênis. Até que, uma semana antes de voltar pra Portugal, enquanto falava comigo ao telefone, a Cristiana foi abordada na esquina de casa por um jovem armado. Levaram seu celular com todas as gravações de entrevistas para o mestrado.

Há também que ser lembrado que, nas duas únicas vezes que apareceram baratas aqui em casa, adivinhem quem estava aqui? (Cristiana, juro, nunca mais apareceu barata alguma aqui em casa!!)

Já faz um mês que a Cristiana voltou pra Portugal. Eu e a turminha sentimos falta da delicadeza portuguesa, das piadas, das comidas, da companhia. Apesar dos pesares, e de saber que ela não vai querer nunca mais por os pés aqui em Moçambique, ela foi uma das grandes amigas que fiz por aqui. Daquelas que se guarda pra sempre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

... And we're back!

Praia dos Pescadores, Maputo.
Hoje faz um mês do meu último post, e, antes que eu mate a família do coração, vou voltar à rotina do Blog. Começo respondendo a alguns questionamentos constantes nos últimos dias.

Não morri, não estou doente, não decidi virar hippie. Apenas tirei esses últimos dias pra refletir um pouco. Ouvi, e não apenas uma vez, que eu estava reclamando demais aqui no Blog. Concordo que eu reclamo (e é assim que eu me conheço há quase três décadas), mas há também que se entender a linha tênue entre a reclamação e o sarcasmo. Eu sou uma pessoa sarcástica. A ironia faz parte da minha personalidade. E eu a uso sempre, mesmo sem ter intenção. Então, depois de muito pensar, a primeira decisão que tomei é que, sim, vou tentar (e digo TENTAR) me policiar nas reclamações, mas jamais, never, ever, vou deixar de ser irônica. É assim que eu sou, e pronto. E isso aqui é um blog pessoal. Até agora não o usei pra nenhum trabalho jornalístico. Quando usar, vai dar pra perceber a mudança na linguagem.

Segundo motivo que me levou a ficar em silêncio nos últimos tempos foi a necessidade de adaptação. Conheci muitas pessoas legais nos últimos dias, outras nem tão legais assim, levei um ou outro tombo, mas o balanço final foi positivo. Também tenho tentado me adaptar a Maputo e a seu modo de vida. Logo que se chega, tudo é lindo e diferente. Depois vem a fase do choque cultural, da revolta e do desapontamento. Era essa a fase em que eu estava desde o último post.

Presenciei várias coisas desagradáveis nesse tempo, coisas que eu não esperava. Minha amiga Cristiana, a portuguesa do post da Salsa, foi assaltada com uma faca enquanto falava comigo ao telefone. Ouvi tudo, sem poder fazer nada. Aí, junta com a saudade da família, saudade dos meus animais, dos amigos, sentimento de isolamento, e a coisa desanda de vez. Passei um tempo me sentindo vulnerável demais aqui em Moçambique, sensibilizada demais, mas pro lado ruim da coisa. Agora, ao que tudo indica, superei essa fase.
Olhar desconfiado na Costa do Sol, em Maputo.

A fase que estou agora é de aproveitar a experiência por aqui. Se vou voltar para o Brasil, se vou ficar mais tempo, se vou pra outro país, o que será da minha vida, não estou a fim de pensar agora. Estou aprendendo a viver um dia de cada vez, e, até agora, esse tem sido o maior dos aprendizados aqui em Moçambique.

Então, aos poucos coloco em dia os posts aqui no Blog. Prometi um post sobre a Cristiana, a gringa mais azarada que já pisou em Moçamba. Também tenho algumas fotos do Reed Dance, uma cerimônia que tive o prazer de assistir lá na Swazilândia. Umas voltas que dei pela cidade, umas fotos que tirei, como essas duas deste post. E mais alguma coisa que eu for lembrando. Mas uma coisa de cada vez, né? :)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

F*da-se ligado no modo turbo

Estar em um país diferente é ótimo. A vivência, a troca de experiências, o conhecer o novo é sempre incrível. Mas há sempre o momento "p*ta que pariu, que que eu tô fazendo aqui?". O meu chegou nesses últimos dias.

Pra não me alongar muito, dois episódios da última semana.

Episódio 1 - Boca suja

Sábado de manhã, decidi sair pra dar uma caminhada na Feira do Pau Preto (sim, pau preto!) pra ver alguns artesanatos e comprar uma pintura pra disfarçar um pouco o laranja-gari da parede do apartamento onde moro. Mal chego, já junta um monte de gente querendo que eu compre qualquer coisa por um preço exorbitante. Mantenho a classe. "Não, obrigada", "não quero, obrigada". Até que um guri chega com uma espécie de xilofone rústico, cujo nome local a raiva do momento me fez esquecer completamente. Agradeço, digo que não estou interessada, e continuo a caminhada. O bendito vai atrás.

- Leva só pra me ajudar, mama.
- Não, não quero.
- Pode pagar o que quiser.
- Não quero.
- Compra, você tem dinheiro.

Minha santa! Entro em uma padaria no caminho. Tomo um café, como um pão com manteiga, vejo umas notícias na TV. E o cara me esperando lá fora, erguendo o xilofone a cada vez que passo os olhos pela janela. Não tem jeito, preciso ir pra casa. Mal coloco o pé na calçada, ele volta a me encher. Dois quarteirões depois, perco a paciência.

- Leva, você tem dinheiro, precisa me ajudaaaaaar!
- Meu querido, pega este instrumento e enfia no meio do seu c*. Eu já disse que não vou comprar p*rra nenhuma. Não tenho interesse. Não gosto. Não levo nem de graça.

Saiu de perto com os olhos arregalados. Resolveu.

Episódio 2 - O troco

Sexta-feira, final da tarde, galera toda querendo ir pra casa encher a cara. Busão lotado, chegando na paragem onde desço. Pego o dinheiro, dou ao cobrador e aviso que vou descer no próximo. Ele tenta dar uma de engraçadinho.

- Não quer sentar?
- Não, obrigada. Já disse que desço na próxima paragem.
- Não quer sentar aqui? - fala sorrindo e batendo a mão na perna.

Suspiro, olho pra ele com cara de pena.
- Meu querido, olha bem pra mim. Você aí, mal consegue se manter em pé, e ainda acha que alguém do meu naipe vai sentar no seu colo? Acha mesmo que consegue?

O chapa inteiro cai na gargalhada e grita, me apoiando. Ele insiste, levantando as sobrancelhas.
- Mas aqui é o melhor banco do chapa.
- Agora fala sério. Alguma vez essa conversinha furada colou com alguém? Alguma moça alguma vez aceitou isso? Funciona de verdade? Tá faltando tanto carinho assim em casa, meu querido?

Pronto, viro a rainha do chapa. Ganhei o dia. Até o motorista buzinou e me fez um joinha depois que desci.

O pior é que estou gostando desta minha nova versão.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As aves que aqui gorjeiam

Segunda-feira é sempre um dia estranho aqui em Moçamba. Hoje, em especial, começou mais estranho que os demais.

Todas as manhãs, acordo com o som dos vendedores que ficam debaixo da minha janela e de umas aves estranhas. Ainda não consegui identificar que aves são aquelas. São pretas, fazem som de corvo, mas não tenho certeza se realmente são corvos. O fato é que não são sabiás, e o canto me parece um tanto quanto selvagem.

Hoje, entretanto, acordei as 5h da manhã, com uma pessoa ofegante debaixo da minha janela, e uns "flap-flop-flap-flop". Demorei a acreditar que poderia ser isso mesmo que você está pensando. O som era o mesmo, e não terminava nunca. Virei pro outro lado, o som persistia. Incomodada, olhei pela janela. Era um velhinho tentando fazer seu cooper às 5h da manhã, e de chinelos! Por Deus! E o pior é que ele ia da entrada do meu prédio até a esquina e voltava, em uma distância de não mais de 30 metros.

Depois de amaldiçoar mentalmente os últimos dias de vida do velhote e seus chinelos, eis que ele cansou e consegui dormir de novo. Pontualmente, às 6h30, chegaram os vendedores e seus megafones imbutidos nas gargantas. Como falam alto!

Reclamações à parte, para além da barulheira dos ambulantes, hoje não foram os corvos, ou seus primos, que cantaram pela manhã. Eram passarinhos mesmo, desses de canto fininho. Quando levantei, percebi que estava nublado. Vai ver, quando o tempo está pra chuva, os corvos dão lugar aos passarinhos.

Outro ponto peculiar aqui em Maputo é o cheiro das ruas na segunda de manhã. A galera bebe todas no final de semana, e o cheiro de xixi é tão forte que é quase possível ver o vaporzinho subindo. Nem banheiro de rodoviária consegue superar o ambiente de segunda cedo.

Depois de compartilhar com o mundo meu mau humor matinal, fui supreendida por um senhor e sua garrafa de pinga. Na esquina de casa, aquele olhar opaco, que parece olhar através das pessoas, que só os bebuns têm. Um sorriso frouxo e sem dentes. Olhou na minha direção, ergueu a garrafa e disse "Moçambique é bom, né?"

Ainda não tenho minha ideia formada, mas, apesar dos pesares, consegui rir um pouco logo pela manhã.